Território: Terreiro Manzo Ngunzo Kaiango - Santa Luzia (MG)
Tipo de ação: Projeto arquitetônico e obra
Idealização: Comunidade Tradicional do Manzo Ngunzo Kaiango

A Comunidade Kilombo Manzo Ngunzo Kaiango é um quilombo localizado na região leste de Belo Horizonte, no bairro Santa Efigênia. O terreno original do Manzo, neste bairro de BH, contava com aproximadamente 1000m² e foi adquirido pela matriarca Efigênia Maria da Conceição no início dos anos 1970.
Com o desenvolvimento urbano que se seguiu, a área original do quilombo foi drasticamente reduzida, permanecendo cerca de 360 m² hoje. Em 2012, devido a ações arbitrárias da Prefeitura de Belo Horizonte, o espaço sagrado que funcionava na capital mineira foi transferido para Santa Luzia, cidade da região metropolitana de Belo Horizonte, onde a comunidade adquiriu um terreno que se tornou gradualmente a “roça do kilombo”, local foco deste projeto.

Crédito das imagens: Dossiê de registro da Comunidade Manzo Ngunzo Kaiango (IEPHA)


“Nós vivemos em ambos os lugares. Agora ali [em Belo Horizonte] tornou-se um ponto de referência para a Umbanda - mantivemos a Umbanda lá porque o Preto Velho não queria que a Umbanda fosse praticada aqui [em Santa Luzia] também. Então ali é o Umbanda terreiro, que chamamos de Senzala de Pai Benedito - esse era o nome original - e lá trabalhamos apenas com expressões culturais. Continuamos com o projeto Kizomba lá, e o grupo mantém um diálogo aberto com a sociedade porque o trabalho que fazemos ali está aberto para toda a cidade. As pessoas vêm de fora para experimentar a cultura e as tradições.; Aqui em Santa Luzia, é uma comunidade. Porque além dos laços familiares, há também um vínculo com as famílias terreirais. Dizemos que é quase como a escala do quilombo [em Belo Horizonte], porque o quilombo tem um diálogo muito mais aberto com grupos específicos como o Estado e as universidades. E aqui, é terreiro - algo mais pessoal, algo nosso. Este é o nosso lugar sagrado.”
MAKOTA KIDOIALE, liderança do Manzo
Após a violação do espaço sagrado e o despejo da comunidade, Manzo transferiu suas atividades para Santa Luzia, em um espaço construído inteiramente por membros da comunidade.
O projeto buscou atender as necessidades de manutenção dos espaços, garantir sua ampliação e melhoria das qualidades ambientais, visando o bom funcionamento das áreas comunais e religiosas do terreiro, bem como as readequações para garantir acessibilidade e segurança nesses espaços.
Ficha Técnica
Idealização
Comunidade Tradicional do Manzo Ngunzo Kaiango
Arquitetos
Amanda Castilho, Fernando Maculan, Marina Vilela, Rafael Yanni
Acervo e doação de azulejos
Alexandre Mancini
Oficina de composição dos azulejos
Sylvia Amélia e Comunidade Tradicional do Manzo Ngunzo Kaiango
Luminárias de bambu
Lúcio Ventania
Gestão e Obra
Joaquim Artes e Ofícios
Realização
Plataforma Semente
Programa Minas Para Sempre (MPMG)
Apoio Institucional
IEPHA – Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (MG)






















