Território: Vila Senhor dos Passos — Belo Horizonte (MG)
Tipo de ação: Projeto de reorganização espacial e arquitetônica
Liderança: Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente

O território deste projeto se localiza na Pedreira Prado Lopes, local formado originalmente para a quebra de pedras destinadas à construção da capital mineira.
Inicialmente, a vila foi ocupada majoritariamente por mulheres, sendo elas as esposas e líderes das famílias dos trabalhadores da pedreira.
O nome Buraco Quente é atribuído a este espaço tanto como reflexo da topografia acidentada, quanto da calorosa resistência e dos embates territoriais enfrentados por essas protagonistas até meados dos anos 1990.
Sua localização é extremamente relevante no contexto urbano belo-horizontino. A proximidade com o hipercentro e com as centralidades históricas e culturalmente importantes do bairro Lagoinha e da Pedreira Prado Lopes, além da disponibilidade de infraestrutura urbana e de mobilidade concentradas em suas imediações, fazem deste um espaço valioso na cidade.
Neste contexto foi criada, em 1966, a sede da Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente (CCPJO) cuja Associação de Resistência Cultural Afro-brasileira é coordenada pelo Mestre Ricardo de Moura. Pai Ricardo, como é conhecido na comunidade, desenvolve um importante papel de representação cultural e social, articulação entre o Estado e os moradores da região, e de manejo de diversos espaços, o que inclui o local deste projeto.

A convite do Pai Ricardo, referência da Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente, o Coletivo LEVANTE desenvolveu um projeto de reorganização espacial da quadra com o objetivo de possibilitar a criação do Centro de Referência e Cultura Buraco Quente.
Concebido como um espaço dinâmico de valorização da memória, educação, formação e reconhecimento cultural, o Centro busca promover a prática, a preservação e a difusão da cultura do Buraco Quente.
A envoltória, desenvolvida pelo artista Jorge dos Anjos, consiste em uma estrutura metálica esbelta e leve para proteger a quadra das intempéries, preservando ao máximo o espaço vazio que ela possui.
Internamente, propôs-se uma estrutura circular em bambu coberta com esteiras de taboa e mantas fonoabsorventes, concebida pelo mestre bambuzeiro Lúcio Ventania, capaz de oferecer as condições acústicas adequadas para as atividades do centro.


Na porção posterior do terreno, são propostos espaços de apoio como uma pequena copa, depósito e banheiros, além de um espaço de uso restrito, para a administração do centro, no mezanino.

Com forte caráter simbólico, este espaço busca consolidar-se como um marco urbano de transformação socioespacial onde a arquitetura, arte, cultura e memória se articulam para construir uma nova referência de pertencimento e orgulho em relação ao próprio território.
Ficha Técnica
Idealização
Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente
Arquitetos
Amanda Castilho, Fernando Maculan, Marina Vilela, Maria Cecília Alves, Rafael Yanni
Colaboradores
Anna Lobato, Giovanna Camisassa, Maria Soalheiro
Mestre bambuzeiro
Lúcio Ventania
Artista convidado
Jorge dos Anjos
Consultoria acústica
José Augusto Nepomuceno
Levantamento topográfico
Ariwá Topografia
Colaboração e desenho paramétrico
Naiara Mares













